FAZER A BANGÚ OU COM MUITO PREPARO?

Estou trabalhando no meu projeto de quadrinho cyberpunk ainda anônimo, e para ter um ritmo de produção que não interfira nos meus estudos e outros trabalhos quero algo que seja dinâmico de fazer. Durante a composição deste estilo de trabalho me deparei com uma dúvida: Faço tudo sem muito planejamento e vendo no que dá, ou estruturo primeiro direitinho do começo ao fim antes de por a mão na massa?

NO IMPULSO

Um método que prioriza a produção antes do planejamento é bom no sentido de que você estará vendo a coisa tomar forma, e com o material ganhando vida vai conseguir manter um ritmo bom e se empolgar para prosseguir. O problema de um método assim é acabar se perdendo nas ideias, travando em algum problema de roteiro que não havia sido previsto, não poder acrescentar elementos que conduziriam para um final melhor por não ter pensado nestas ideias desde o começo, não fechar pontas soltas que se tornaram irrelevantes no decorrer da trama. Um método feito de forma livre e sem planejamento algum pode perder a linha em algum momento, é como andar num labirinto as cegas.

COM PREPARO

Com planejamento você estrutura a base de toda a trama, personagens que irá usar, ritmo dos acontecimentos, pode acrescentar pistas de uma reviravolta desde o começo, tem um controle melhor de tudo. Fazer as coisas com preparo é bom, mas existe o risco de ficar preso no preparo e acabar não dando o primeiro passo. Por querer deixar tudo perfeito, o artista pode ficar mexendo e remexendo no seu plano antes de começar, o que muitas vezes se torna uma prisão devido a margens de ideias novas que surgem e das influencias que não param de gritar. Sem falar que por não ter começado ainda, ficará sem ver a obra ganhando vida, o que pode acabar causando desanimo e a tentação de começar outro projeto. É como ficar reunindo equipamentos e mapas para entrar no labirinto, mas não entrar por não ter certeza se está preparado ou não.

EQUILÍBRIO

Deve haver um equilíbrio entre os métodos: Criar um planejamento simples, uma estrutura base de começo, meio e fim e já ir produzindo com isto, segundo um ritmo dentro do que foi planejado. Um planejamento base também servirá para restringir as ideias e manter o foco, pois algo aberto demais e com muitas escolhas acaba dando margem a desvios e voltas que atrasam a produção.

Tentarei seguir esta linha de ideias e espero ter algum resultado pra mostrar aqui do projeto já semana que vem. Qual o seu método? Já teve algum problema assim na hora de montar uma rotina de trabalho? Deixe sua experiencia nos comentários, até mais!

USANDO O TEMPO A SEU FAVOR

Faz séculos que não posto nada por aqui, e não foi por falta de ideias, mas sim por acumular muitos afazeres e ter que fazer malabarismo pra dar conta de tudo. Estes últimos meses foram um pouco complicados, porém cá estou e pretendo falar da organização de tempo para se dedicar a hobbys em meio a tantos afazeres. O TEMPO PASSA, O TEMPO VOA… No nosso dia-a-dia temos compromissos como estudos, trabalhos, academia, etc, e muitas vezes acabamos não tendo tempo para trabalhar nossa criatividade, ou ficando sem energias para estas coisas, querendo apenas descansar do stress. Uma coisa que aprendi nestes meses é que é possível sim administrar seu tempo para fazer os compromissos, ter tempo para seus trabalhos e hobbys, e ainda conseguir descansar para restaurar as energias gastas durante o dia – Porém exige MUUUUITA dedicação e disciplina, e nem sempre estas são coisas fáceis de se conseguir. Eu poderia listar aqui mil fórmulas ou aplicativos de celular que ajudam a montar formas de administrar seu tempo, porém em muitos casos elas não funcionam (pra mim ao menos não funcionaram), afinal cada pessoa tem uma rotina e um ritmo e a que funciona pra um estudante jovem pode não funcionar pra um empresário que viaja todos os dias. Vou apresentar algumas dicas simples, coisas que ajudem a você manter um ritmo e um ânimo, e coisas que possam permitir criar mesmo em dias corridos, vamos lá?

  • Carregue sempre uma caneta e um bloco de papel ou caderno pequeno, assim quando você estiver em uma fila de banco, dentro do busão ou preso no trânsito poderá usar o tempo a seu favor;
  • Mantenha a mente ativa, leia notícias, converse com outras pessoas, assista filmes de todo tipo. Receba informação para que sua mente possa trabalhar e usar a seu favor;
  • Evite distrações no momento que estiver trabalhando, pois foco é essencial. Coloque o celular no silencioso, de uma folga pras redes sociais, e guarde alguns minutos para mergulhar no seu afazer;
  • Crie uma rotina e estabeleça horários para poder ter um controle melhor de tudo que você faz, nem que pra isso precise de uma agenda;

Estas são algumas que lembrei agora, a qual também pretendo colocar em prática e com isto voltar gerar conteúdo aqui no blog, pois eu tenho muita coisa acumulada pra criar, muitos assuntos a compartilhar e muitas histórias pra contar. Veja também um post antigo sobre manter o foco e bem-estar clicando AQUI. Deixe aqui nos comentários como você lida com o tempo e suas atividades, acrescente mais a esta conversa, será ótimo conhecer novas maneiras de trabalhar isto. Até a próxima!

APRENDENDO COM PROFISSIONAIS

Nos dias de hoje se encontra de tudo na internet, dês de receita de bolo até como construir uma bomba nuclear. Por isso ando sempre buscando referências e técnicas novas de desenho pra estudar e melhorar meu trabalho.

Separei aqui alguns canais muito interessantes a qual ando de olho ultimamente.

DANIEL HDR ART

Canal do meu amigo Daniel HDR, onde ele sempre posta o seu processo de trabalho e também sobre suas viagens para eventos de quadrinhos e afins. É excelente pra quem quer saber um pouco mais sobre o trabalho de desenhista e também muitas vezes serve como extensão dos episódios do ARGCast – Podcast do Dinamo Studios a qual participo ocasionalmente.

STANLEY ARTGERM LAU

Stanley Lau, conhecido com Artgerm nasceu em Hong Kong e com sua arte impecável já realizou trabalhos para muitas empresas de quadrinhos e games. Adoro as cores deste cara, e em seus videos você pode acompanhar o trabalho dês do lineart até a conclusão em detalhes. Volta e meia ele faz um stream ao vivo e fica um chat ao lado onde várias pessoas interagem enquanto ele trabalha. Para ver os videos do Artgerm, acesse seu Livestrem AQUI

SCOTT ROBERTSON

Scott é fundador da editora Design Press Studio e professor na Art Center College Design. Em seus videos ele da dicas valiosas e demonstra seu processo de criação. Vale muito a pena ficar assistindo os videos de seu canal.

Existem muitos outros vídeos e coisas interessantes na rede, farei mais posts com recomendações assim que possível. Caso tenha algum canal ou artista que você acompanhe o trabalho, deixe a recomendação nos comentários! Abraço e até mais!

VINGAAAAANÇA!!!

Atualmente tenho lido e assistido mais coisas, e com isso ando notado como a vingança é comumente usada nas histórias. Decidi fazer este post analisando a mesma e como ela pode ser interessante no contexto de um personagem, e as diferenças primordiais entre ela e a justiça.

VINGANÇA COMO MOTIVAÇÃO

A vingança é sempre uma consequência, nasce no âmago de alguém que sofreu algo forte e não a permite esquecer deste ato até que aja uma retaliação. A pessoa ignora suas metas anteriores e foca todas as suas forças e energias contra o alvo de sue vendeta, e por isso usar a vingança como força motriz para um personagem já é mais que um clichê. Por ser um sentimento de natureza maligna, a vingança é comumente vista em personagens anti-herói ou com tendência a serem transgressores, e quando em personagens mais puros e corretos, acaba por os corromper de algum modo.

Explorar o reflexo do sentimento de vingança no personagem é uma forma muito interessante de enriquecer o mesmo. Heróis acabam por aprenderem sua lição no momento final de cumpri-la, pois percebem no ultimo instante que não vale a pena (porém, em grande parte das vezes o vilão acaba tentando um ato desesperado e morre do mesmo jeito), e em vilões também é comum uma redenção de seus atos vingativos, contudo geralmente ela surge quando ele está no seu leito de morte e nada mais pode ser feito (alguns ainda conseguem realizar um ato final de heroísmo e nobreza, se sacrificando em nome daquilo que antes era alvo de seu ódio).

JUSTIÇA X VINGANÇA

Existe uma linha tênue que separa a vingança da justiça, e por isso é comum a confusão entre ambas. Se entende por justiça algo universal que rege todos os homens como iguais, e que segue uma série de normas e éticas para manter uma ordem, mesmo que seja através de punição ou castigo – Mas sempre algo que seja coerente com o ato e infração de quem vem a ser julgado. Já a vingança é um desejo pessoal de retaliação, querer o pior para quem a gerou de forma implacável. A sede de vingança só é saciada quando o alvo da mesma sofrer algo pior ao que gerou. Enquanto a raiz da justiça é a lógica e a razão por se tratar de um principio, A vingança como um sentimento consiste na mais pura e primitiva emoção de ódio e rancor.

A antítese da justiça é a injustiça (algo ruim), e a antítese da vingança é o perdão (algo bom). Perdoar é extremamente difícil (e segundo o ditado “divino”), pois exige uma abnegação total do ódio e da irá e uma confiança de que houve arrependimento do agente que a gerou. O sentimento de vingança é tão ruim que muitas vezes após ela ser realizada, causa um êxtase e alívio temporário, substituído por uma culpa e um vazio existencial.Faça uma boa analise da natureza de seu personagem e se cabe a ele sentir desejo por justiça ou vingança, ou coloque cada uma em personagens diferentes, criando um conflito diante da situação proposta na história.

Mesmo tendo uma natureza maligna, a vingança é uma inegável força de motivação, e quando bem usada e explorada, pode gerar tramas muito ricas e interessantes. Existem dezenas de obras que a colocam como pilar principal, mostrando que muitas vezes através de algo ruim podemos alcançar coisas boas. Procure explora-la em suas histórias, nem que seja para compor um personagem secundário ou gerar conflitos e depois venha me dizer como ficou.

PERCEPÇÃO ARTÍSTICA E DIVERSIDADE DE PERSONAGENS

Estes dias acompanhei uma amiga até a empresa que ela trabalha para ela se demitir. Fiquei na recepção da mesma, um lugar grande e bonito, com ar moderno e descolado, e comecei a reparar nas pessoas que entravam e saiam nas catracas. Observando as pessoas, comecei a refletir sobre o uso da diversidade de personagens em uma história.

OPEN YOUR EYES

Eu acredito que invariavelmente um artista coloca um pouco de si dentro de sua história, seja parte de sua personalidade diluida nos personagens, ou sua visão e impressão do mundo na atmosfera de seu universo. A habilidade de observação é fundamental para qualquer pessoa que quer contar uma história, seja ela em forma de livro, quadrinhos, poesia, vídeo ou seja lá o que for. Quanto mais limitada for a visão e percepção do artista, mais pasteorizada e desinteressante será sua história e seu mundo, pois vivemos em um universo de infinitas possibilidades, ideias e combinações que juntas formam acontecimentos e fatos únicos.

DIVERSIDADE

Assistindo o entra e sai daquela empresa, fui reparando nas peculiaridades de cada pessoa. Básicamente todas faziam a mesma coisa: cruzavam a catraca usando um crachá para libera-lá e assim saiam ou entravam no local – e numa função tão simples notei como existiam diferenças. Algumas pessoas já vinham segurando o crachá na mão a metros da catraca enquanto outros deixavam para pegá-la quando encima da mesma; pessoas vinham em bandos sorridente continuando assuntos anteriores ou solitárias em seus fones de ouvido; Alguns vinham com roupas dignas de festas chiques enquanto outros pareciam oriundos de um balcão de boteco de esquina. Felizes, tristes, altas, baixas, gordas, magras, de todas as cores, sexos e credos, todos estavam interagindo e se relacionando no mesmo ambiente.  Acredito que uma história deva ter este mesmo fluxo, não só entre os personagens principais mas também em relação aos os coadjuvantes. É possível destacar diferenças através de características físicas como formas e cores, ou de personalidade como expressões e comportamento (Já postei dicas sobre como elaborar personagens diferentes AQUI e AQUI).

Para que o leitor sinta que seu mundo possui vida, é preciso que os personagens que o constituem tenham vida e sejam únicos, e você só vai conseguir construir isso analizando e abrindo os olhos para as coisas ao seu redor, indo em lugares que fogem de seus gostos e principios, viajando e observando novos horizontes e culturas. Lembrando que variedade e diferenças devem ser ferramentas para você usar quando necessário, pois algumas histórias exigem universos estagnados e personagens pasteorizados para um bom funcionamento. Ao observar os detalhes do mundo e das pessoas você aumenta seu arsenal de peças e assim fica mais fácil construir novas e diferenter formas de histórias com elas.

MANTENDO O BEM-ESTAR E O FOCO

Em tempos de fim do ano (e quem sabe do mundo), as coisas aceleram e muitas vezes perdemos nossa cabeça em um mar de coisas. São gastos, festas que muitas vezes somos obrigados a ir, provas e trabalhos para quem estuda, uma maior movimentação em toda parte. Nosso bem-estar é afetado, e muitas vezes perdemos nosso foco, principalmente para as pessoas que trabalham com a criatividade. reuni aqui algumas dicas de como manter o bem-estar em dia e poder sobreviver a tudo isso.

PLANEJAMENTO

Com tanta coisa acontecendo ao nosso redor, se não planejarmos e organizarmos as mesmas elas viram um gigante KATAMARI e nos engolem, por isso é necessário ordem. Anote todos os seus afazeres, coloque em um lugar que você possa ver com frequência (geladeira, computador, mural na parede, etc…). Estabeleça prazos para tudo, e se for algo muito grande, divida em metas diárias a serem cumpridas (e que possam ser recuperadas caso você fique impossibilitado de faze-las).

MEDITE

Parece algo chato e enfadonho, mas a meditação melhora a capacidade de concentração, alivia o stress, e trás mudanças significativas em várias áreas do cérebro. Para meditar você precisa estar relaxado, sentar-se de forma confortável numa cadeira ou no chão, de olhos abertos ou fechados e concentrado no agora. Ao invés de tentar limpar a mente, preste atenção em tudo ao seu redor, deixe que os pensamentos venham mas não preste a atenção neles, concentrando-se em sua respiração, experimente a sensação do ar entrando e saindo do seu corpo. Faça entre 15 e 30 minutos, com o tempo de prática você sentirá os resultados em sua vida. Existem vários outros tipos de meditação, estou dividindo o que pratico, mas de uma pesquisada na internet e encontre o que mais se adapta a você.

HORA DE IR PRA CAMA

Não é necessário ver estudo algum pra saber que a maioria das pessoas não possui uma qualidade boa de sono. Uma forma de tentar ajustar seu repouso é estabelecendo horário para dormir a acordar, adaptando o corpo a uma rotina de relaxamento. Veja qual o horário que seu corpo começa a apresentar cansaço, mas se o sono não vier e você ficar rolando na cama, levante e faça algo que possa ajudar você a descansar, seja ler um livro, tomar um chá, assistir algo leve na tv ou mesmo jogar um game simples (tipo um Super Mario Bros. da vida). Levante cedo, no início seu corpo vai sentir um desgaste do cão e você vai se transformar em zumbi, mas após umas duas semanas notará que renderá muito mais ao longo do dia.

DESPLUGAR

O mundo virtual acaba sendo uma extensão de nossas vidas, e com sua avalanche de informação ficamos conectados 24h, seja pelo computador, televisão ou celular Tente se desplugar do mundo de tempos em tempos, desligar o celular, a televisão e toda e qualquer coisa que possa fazer você tirar o foco das coisas que estão ao seu redor. Aproveite e explore mais as coisas que estão ao seu alcance físico ali no momento. Mais informações em um post que fiz sobre ficar desplugado do mundo virtual AQUI.

MANTENHA SEUS AMIGOS PERTO…

No meio da avalanche de coisas acabamos por perder aquele contato com os mais chegados. Pare de falar “vamos marcar?” e marque algo de verdade, ligue mais, faça mais happy hours com seus chegados. Além de aliviar o stress do trabalho, as conversas podem render material interessante para seus projetos. Um pouco de felicidade e risadas com amigos de verdade muitas vezes é o remédio exato para qualquer problema.

Estas são algumas dicas que você pode tentar por em prática para melhorar sua qualidade de vida. Não espere a virada do ano para mudar aquelas coisas que você sabe que estão te sabotando, ponha as mãos na massa AGORA MESMO!

NOVELAS E SUAS NOVELICES…

A novela é uma paixão nacional, e diariamente milhares de pessoas sentam-se diante da televisão para acompanhar durante meses as histórias de personagens a qual elas se sentem íntimos. Mesmo com fórmulas manjadas, os roteiristas conseguem fazer as novelas se tornarem máquinas de gerar fortuna – Mas qual o segredo?

“OI! OI! OI!…”

Hoje irá ao ar o último capítulo de Avenida Brasil, a novela que mais fez barulho nos últimos anos, atingindo índices gigantescos de audiência (Acredita-se que este capítulo possa gerar um apagão no país, devido a sobrecarga de energia que pode ocorrer quando as pessoas forem retomar suas atividades após o término do folhetim – leia mais AQUI). Muitas pessoas exaltavam a trama de intrigas, mistérios e reviravoltas como o elemento chave desta novela, nunca antes explorado, porém esquecem que o mesmo autor dela fez “A Favorita”, onde também havia uma trama misteriosa com reviravolta na metade da novela e um mistério grande no final, onde vilões e mocinhos tinham várias faces e não eram tão maniqueístas. Acredito que o sucesso desta novela se deve, além da trama cheia de reviravoltas, do carisma que os personagens tinham.

A vilã “Carminha” de Avenida Brasil. Personagens carismáticos ajudam no sucesso.

Se você prestar a atenção em como é uma novela de determinado autor, verá que cada um possui uma única fórmula, apenas mudando nomes e locais e adaptando aos novos tempos. Existe a fórmula da Glória Perez (autora da próxima novela: Salve Jorge) de começar a novela no exterior, colocar personagens que falam português misturado com outra língua e fazê-los viajar o tempo inteiro entre um país e outro com a facilidade de quem pega um táxi, outra fórmula é a do Manoel Carlos com suas “Helenas”, histórias no Leblon e dramas familiares… Mas apesar das fórmulas, as novelas se modificam de acordo com as opiniões do público, fazendo com que personagens populares ganhem mais destaque, ou mesmo que um casal protagonista não acabe junto (o que tem acontecido com frequência, diga-se de passagem). Em suma, a trama básica de uma novela é simples, e poderia ser resolvida em três capítulos, mas para estender por uns 200 capítulos acabam muitas criando situações patéticas, onde os protagonistas caem em armadilhas bobas dos vilões ou muitas um caso é resolvido para em seguida surgir um novo similar.

FONTE DE DINHEIRO

Apesar de terem um custo mínimo de 2,5 milhões de reais, uma novela é uma fonte enorme de renda, pois muitas empresas estampam suas logomarcas nela (com grande retorno), fazem músicas dispararem na parada de sucessos e criam tendência de moda. Algumas novelas se estendem para além da tela, como a recente Cheias de Charme que gerou um livro contando o passado de uma das protagonistas, a novela Rebeldes com os shows da banda fictícia, ou mesmo a novela infantil Carrossel com seus brinquedos baseados nos personagens. Algumas até possuem funções sociais, fazendo a sociedade discutir temas sérios como violência contra a mulher, homofobia e prostituição, ou mesmo ajudando de forma direta como a recente Amor Eterno Amor que mostrava fotos de pessoas desaparecidas ao final de cada capítulo.

As novelas já fazem parte da cultura brasileira. Eu particularmente não gosto delas pois elas possuem um potencial enorme, mas ficam presas a amarras popularescas, que impede um maior aprofundamento ou fuga de histórias de casais que se conhecem e ficam se separando por armações de outros. Com um poder tão grande de parar o Brasil, acredito que as novelas deveriam cortar suas amarras popularescas e se focarem em formas de fazer as pessoas aprenderem e pensarem mais.

CYBERPUNK–FUTURO UNDERGROUND

Existem muitos gêneros na ficção-científica, como o Steampunk, a qual já falei AQUI no blog. Hoje vou falar sobre um sub-gênero a qual gosto muito, apesar de me ter me dado muitos arrepios na infância. Este sub-gênero influenciou muito a cultura pop na década de 80 e 90 e ainda hoje existe com força – o Cyberpunk.

PRIMÓRDIOS E ABORDAGENS

Com a intenção de mostrar o submundo de um futuro com alta-tecnologia, as histórias em cenários cyberpunk remetem a tramas noir, que costumam se passar em metrópoles opressoras cheias de luzes de neons, uma população marginalizada com acesso a equipamentos avançados e a ciberespaços onde conseguem burlar as regras e confrontar o sistema. Os grandes vilões costumam ser corporações frias e poderosas, que usam de seus recursos para ditar status e controle institucional. Toda base consiste numa subversão da visão de futuro que existia na década de 80, e toda a fantasia encima do que seria o mundo digital que estava em expansão. A origem do tema remete a Bruce Bethke, que em 1980 escreveu o conto “Cyberpunk”, pulicado somente em 1983. Um dos escritores mais conhecidos na formação do gênero foi Willian Gibson, autor da trilogia Sprawl, a qual pertence o cultuado Neuromancer. Existem dois derivados do Cyberpunk: “Pós-Cyberpunk”, que apresenta um futuro menos utópico e mais próximo as tecnologias atuais, e “Biopunk”, que foca mais na biologia sintética e manipulações genéticas do que na tecnologia cibernética e mundos virtuais.

Uma das coisas interessantes no cyberpunk é a abordagem do tema humanidade contra tecnologia, questionando como esta invade o nosso mundo e como ficamos dependentes dela. Implantes, chips e manipulações genéticas são coisas comuns em mundos cyberpunks, onde apesar de ser “avançada”, a tecnologia se mostra rústica e fria, e muito mais que uma ferramenta ou luxo, pode ser vista como forma de sobrevivência em um mundo tão cruel. Qual o limite entre homem e máquina? Esta tecnologia nos torna mais aprimorados ou vulneráveis? Este gênero permite toda uma abordagem filosófica, múltiplas camadas, e analogias diversas com o mundo atual que podem apenas entreter, ou se olhadas mais de perto nos fazer pensar. Por se tratar de futuros utópicos, os autores deste gênero não costumam se prender em lógica e amarras científicas, permitindo que qualquer um com um conhecimento básico de tecnologia possa elaborar sua história, que geralmente foca mais no clima e no cenário do que primor tecnológico (como em uma ficção-cientifica hard).

     INFLUÊNCIAS

Podemos ver este gênero em muitas coisas, de músicas, filmes e livros até moda e comportamento. O cinema popularizou o termo com filmes como Brazil – O Filme e o aclamado Blade Runner – O Caçador de Androides de Ridley Scott, que ditou muito do conceito visual para o gênero (terá uma continuação em breve). O território da mente através do cyberespaço foi abordado como tema em obras como Matrix e Serial Experiments Lain,. Akira de Katsuhiro Otomo (a qual já falei AQUI) mostra uma Tóquio violenta e tomada por gangues em meio a um governo opressor. Ghost in the Shell, obra-prima de Masamune Shirow, aborda a humanização da máquina e a mecanização do homem.

No RPG temos o famoso Shadowrun, que mistura magia ao universo cyberpunk e vai ganhar uma versão on-line, Cyberpunk 2020, que irá ganhar um jogo para as novas plataformas de games, Mago – A Ascensão na sua guerra de magos contra tecnocratas, e o polêmico GURPS Cyberpunk, que chegou a ter encrenca com o ~serviço secreto dos EUA pois este acreditou que o livro poderia ser um guia para hackers e criminosos digitais. Apesar de Neuromancer ser considerada a obra-prima cyberpunk da literatura, existe uma obra brasileira chamada Santa Clara Poltergeist, de 1991 escrita por Fausto Fawcett e considerada a primeira obra do gênero brasileira. Na música, muitas bandas embarcaram na batida eletrônica inspiradas pelo tema, como Radiohead e seu disco Ok Computer ou Nine Inch Nails com seu álbum conceito Year Zero.

Com o passar dos anos, a tecnologia esta cada vez mais acessível, e praticamente todo mundo carrega um gadget no bolso para estar conectado. Muito do nosso mundo atual tem influencia do gênero cyberpunk, e com a liberdade no mundo virtual cada vez maior e os governos querendo censurar tudo aquilo que afete seus interesses ou os bolsos dos grandes figurões, vemos uma forma de resistência virtual nascendo muito timidamente. Acredito que um dia o mundo fique tão similar ao conceito do cyberpunk, que esta vai acabar se tornando uma caricatura da realidade.

FONTES:

Wikipédia-Cyberpunk

Na Lupa

DESENHISTA AUTODIDATA PRECISA DE CURSO DE DESENHO?

Assim como eu, muitas pessoas começam a desenhar por conta, de uma forma autodidata, e acreditam que sua técnica pessoal dispensa qualquer tipo de curso de desenho – Mas será que sozinho um desenhista autodidata pode desenvolver bem todas as suas técnicas? Será que apenas com seu traço e seu “dom” ele pode encarar uma carreira profissional na área?

EU COMO AUTODIDATA

Eu peguei gosto pelo desenho através do sangue, pois meu pai e meu irmão sempre desenharam. Fui desenvolvendo uma técnica de desenho autodidata e sempre chamava a atenção  na escola, entre amigos e parentes. Meu irmão, que também era autodidata, começou a fazer o curso de desenho com o hoje meu amigo e colega de estúdio Daniel HDR, e foi me falando de técnicas de desenho e narrativa que ele havia aprendido no curso. Alguns anos mais tardes eu entrei no curso e comecei do básico, achando que nada me seria útil por ali – Grande engano. Por mais que eu já tivesse um traço desenvolvido, no curso aprendi técnicas de proporção e anatomia, exatamente o ponto onde os desenhistas autodidatas mais pecam. No decorrer do curso fui aprendendo sobre técnicas de quadrinhos, narrativa, composição de cenas e tantos outros fatores que sozinho eu levaria muito mais tempo para aprimorar.

“MAS ISSO É UM DOM”

O autodidata muitas vezes é muito confiante em seu traço, pois se vê confortável em fazer coisas que já domina, recebendo elogios de pessoas leigas no assunto, mas quando seu trabalho é apresentado a alguém que já trabalha no ramo e tem um olhar mais técnico, acaba vendo onde estão suas falhas. Por estar acostumado a desenhar só aquilo que domina, o autoditada se vê perdido quando desafiado a fazer algo que não possui técnica (como drapeamento de tecido, animais, cenários, perspectiva…). Aqueles que não desenham costumam dizem “Nossa, mas isso é um dom”, como se fosse uma habilidade divina quem veio implantada na pessoa quando ela nasceu – Mas eu discordo um pouco. Claro que existem os gênios que desenvolvem técnicas perfeitas sozinho, mas eu não fui assim e acredito que a maioria das pessoas também não seja, e ao meu ver este “dom” é apenas a facilidade que a pessoa tem pra assimilar técnicas desenvolvidas através da prática exaustiva. Sou da teoria de que qualquer pessoa pode fazer qualquer coisa, o que varia é o grau de facilidade ou de dificuldade que ela terá para chegar lá, para algumas é mais simples e para outras denota mais empenho e dedicação – Cada um tem seu ritmo. Alias, algumas vezes alguém que não tem base nenhuma em desenho consegue aprender as técnicas melhor que uma pessoa autodidata, pois esta muitas vezes já possui vícios de traço que precisa flexibilizar para uma forma diferente de resolver determinada figura.

Recomendo para todos aqueles que gostem de desenhar e são autodidatas fazer algum curso para aprenderem novas técnicas e aprimorar aquilo que já dominam. Humildade é fundamental não só na área do desenho mais em qualquer área que você queira crescer na vida, e por mais que tenhamos conhecimento em um determinado assunto, sempre se terá algo novo a aprender – E é sempre preciso estar se aprimorando para não ficar para trás.

(Obs.: Para quem for de Porto Alegre e arredores, existe o Curso de Quadrinhos Dinamo, mais informações AQUI.)

TESOUROS OCULTOS

Crises criativas são comuns com quem precisa trabalhar com a imaginação (já comentei isso AQUI), mas quando as respostas estão ao nosso alcance e não as percebemos? Consegui encontrar em minha casa algo que foi como um tesouro oculto. Será que o mundo não está gritando aos quatro cantos o que você tanto procura e você não esta ouvindo?

ONZE MINUTOS

Eu estava navegando pelo Twitter como não fazia a muito tempo, vendo o que as pessoas comentavam em seus 140 caracteres, quando de repente vi um link do escritor Paulo Coelho, que me levou direto a um trecho de seu livro Onze Minutos. Aquele simples trecho que cativou, e fiquei decidido em procurar o livro quando fosse da próxima vez a uma livraria. Decidi organizar meu quarto e me surpreendi ao me deparar na estante de livros do meu quarto o tal livro que tanto fiquei curioso para ler. Sábado fui trabalhar no curso de quadrinhos, e como o livro que estou lendo, Guerra dos Tronos – A Fúria dos Reis, é muito grande para levar na mochila, acabei levando Onze Minutos comigo. Comecei a lê-lo no ônibus por volta das 10h45 da manhã, e mergulhei de cabeça em suas página, o acabando precisamente as 05h00 da madrugada. Como poda um livro que sempre esteve em minha estante conter respostas para pequenas questões que estavam ocultas em minha mente a semanas? Encontrei em suas palavras uma sensação gostosa daquelas que só os universos da arte podem trazer, além de questionamentos e informações que contribuíram muito para detalhes em meus roteiros que precisava sanar. Algo similar aconteceu quando comprei a graphic novel Sandman – Os Caçadores de Sonhos, mas a diferença é que o livro sempre esteve na minha casa, e eu nunca havia lhe dado atenção.

CARTAS NAS MÃOS

Eu acredito que a vida nos trás respostas e auxílios quando precisamos, e sussurram aos nossos ouvidos usando os mais diversos meios. Você já parou para pensar que a solução para aquele seu problema, aparentemente insolúvel (seja no trabalho ou na vida pessoal), pode estar oculta como um tesouro perdido na sua casa? Quem trabalha com criatividade precisa beber de diversas fontes para construir e manter seu arsenal de ideias sempre impecável, evitando assim as famosas “crises de criatividade”, e na sua ânsia por novidades acaba deixando passar despercebida ferramentas que já possui, cartas que formavam uma combinação vitoriosa mas por desatenção não havia notado. Aquilo que você mais precisa pode estar escondido nas páginas de um livro na estante, nas cenas em um antigo filme que há muito não vê, na letra de uma música perdida em um CD, ou mesmo na conversa displicente com um amigo a qual você não conversa há muito tempo.

Sejam coincidências ou não (assunto a qual já falei AQUI), é inútil ficar parado esperando que os problemas se resolvam por si mesmos, colocando-se na condição de refém das oportunidade e conformado com o doce jogo entre a “sorte” e o “azar”. Não podemos ficar parados! Precisamos abrir os olhos e ir atrás das ferramentas certas para manter nosso mundo girando e construirmos com Fé e força de vontade o nosso caminho. Os tesouros não estão ocultos, somos nós que não os enxergamos, ABRA SEUS OLHOS!