CYBERPUNK–FUTURO UNDERGROUND

Existem muitos gêneros na ficção-científica, como o Steampunk, a qual já falei AQUI no blog. Hoje vou falar sobre um sub-gênero a qual gosto muito, apesar de me ter me dado muitos arrepios na infância. Este sub-gênero influenciou muito a cultura pop na década de 80 e 90 e ainda hoje existe com força – o Cyberpunk.

PRIMÓRDIOS E ABORDAGENS

Com a intenção de mostrar o submundo de um futuro com alta-tecnologia, as histórias em cenários cyberpunk remetem a tramas noir, que costumam se passar em metrópoles opressoras cheias de luzes de neons, uma população marginalizada com acesso a equipamentos avançados e a ciberespaços onde conseguem burlar as regras e confrontar o sistema. Os grandes vilões costumam ser corporações frias e poderosas, que usam de seus recursos para ditar status e controle institucional. Toda base consiste numa subversão da visão de futuro que existia na década de 80, e toda a fantasia encima do que seria o mundo digital que estava em expansão. A origem do tema remete a Bruce Bethke, que em 1980 escreveu o conto “Cyberpunk”, pulicado somente em 1983. Um dos escritores mais conhecidos na formação do gênero foi Willian Gibson, autor da trilogia Sprawl, a qual pertence o cultuado Neuromancer. Existem dois derivados do Cyberpunk: “Pós-Cyberpunk”, que apresenta um futuro menos utópico e mais próximo as tecnologias atuais, e “Biopunk”, que foca mais na biologia sintética e manipulações genéticas do que na tecnologia cibernética e mundos virtuais.

Uma das coisas interessantes no cyberpunk é a abordagem do tema humanidade contra tecnologia, questionando como esta invade o nosso mundo e como ficamos dependentes dela. Implantes, chips e manipulações genéticas são coisas comuns em mundos cyberpunks, onde apesar de ser “avançada”, a tecnologia se mostra rústica e fria, e muito mais que uma ferramenta ou luxo, pode ser vista como forma de sobrevivência em um mundo tão cruel. Qual o limite entre homem e máquina? Esta tecnologia nos torna mais aprimorados ou vulneráveis? Este gênero permite toda uma abordagem filosófica, múltiplas camadas, e analogias diversas com o mundo atual que podem apenas entreter, ou se olhadas mais de perto nos fazer pensar. Por se tratar de futuros utópicos, os autores deste gênero não costumam se prender em lógica e amarras científicas, permitindo que qualquer um com um conhecimento básico de tecnologia possa elaborar sua história, que geralmente foca mais no clima e no cenário do que primor tecnológico (como em uma ficção-cientifica hard).

     INFLUÊNCIAS

Podemos ver este gênero em muitas coisas, de músicas, filmes e livros até moda e comportamento. O cinema popularizou o termo com filmes como Brazil – O Filme e o aclamado Blade Runner – O Caçador de Androides de Ridley Scott, que ditou muito do conceito visual para o gênero (terá uma continuação em breve). O território da mente através do cyberespaço foi abordado como tema em obras como Matrix e Serial Experiments Lain,. Akira de Katsuhiro Otomo (a qual já falei AQUI) mostra uma Tóquio violenta e tomada por gangues em meio a um governo opressor. Ghost in the Shell, obra-prima de Masamune Shirow, aborda a humanização da máquina e a mecanização do homem.

No RPG temos o famoso Shadowrun, que mistura magia ao universo cyberpunk e vai ganhar uma versão on-line, Cyberpunk 2020, que irá ganhar um jogo para as novas plataformas de games, Mago – A Ascensão na sua guerra de magos contra tecnocratas, e o polêmico GURPS Cyberpunk, que chegou a ter encrenca com o ~serviço secreto dos EUA pois este acreditou que o livro poderia ser um guia para hackers e criminosos digitais. Apesar de Neuromancer ser considerada a obra-prima cyberpunk da literatura, existe uma obra brasileira chamada Santa Clara Poltergeist, de 1991 escrita por Fausto Fawcett e considerada a primeira obra do gênero brasileira. Na música, muitas bandas embarcaram na batida eletrônica inspiradas pelo tema, como Radiohead e seu disco Ok Computer ou Nine Inch Nails com seu álbum conceito Year Zero.

Com o passar dos anos, a tecnologia esta cada vez mais acessível, e praticamente todo mundo carrega um gadget no bolso para estar conectado. Muito do nosso mundo atual tem influencia do gênero cyberpunk, e com a liberdade no mundo virtual cada vez maior e os governos querendo censurar tudo aquilo que afete seus interesses ou os bolsos dos grandes figurões, vemos uma forma de resistência virtual nascendo muito timidamente. Acredito que um dia o mundo fique tão similar ao conceito do cyberpunk, que esta vai acabar se tornando uma caricatura da realidade.

FONTES:

Wikipédia-Cyberpunk

Na Lupa

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