FANZINES

Muitas pessoas crescem acompanhando quadrinhos, e decidem embarcar na aventura de se tornarem quadrinistas – Porém é um mercado difícil, que exige persistência e talento para entrar. Da vontade de se produzir um material próprio, nasceu um mercado paralelo de quadrinhos alternativos, conhecidos como FANZINES.

O termo fanzine que une as palavras em inglês “Fanatic” e “Magazine”  foi criado por Louis Russel “Russ” Chauvenet, no ano de 1941. Apesar disso, acreditasse que este tipo de publicação teve origem com revistas pulp, nos meados de 1930. Em 1982 surgiu a FACTSHEET FIVE, que consistia em um catálogo de fanzines americanos organizado por Mike Gunderloy. Em cerca de dois anos, esta publicação que eram apenas duas folhas datilografadas se tornaram uma revista bimestral com cerca de 140 páginas que reunia quase todos os tipos de fanzines americanos.

No Japão os fanzines são levados muito a sério e até incentivados pelos autores – Muitos desenhistas de renome no oriente começaram através dos fanzines. É lá que existe a maior feira de fanzines do mundo, a Comiket. Atualmente o termo fanzine também é utilizado para classificar quadrinhos alternativos, com personagens e história criadas pelo próprio artista. Nos eventos de anime já é normal encontrar estandes dedicados especialmente para fanzineiros (aqui na maioria dos eventos da região central do RS, o estúdio Dinamo a qual faço parte é responsável por esta parte). Não é porque é um trabalho amador que os fanzines são ruins. Existem muitas obras de qualidade feitas por artistas iniciantes, e normalmente custam baratinho. Se você gosta de quadrinhos e gasta entre R$7,00 a R$10,00 em suas revistas, experimente folhear os fanzines e quem sabe encontrar algo do seu agrado por volta de R$1,00 ou R$3,00.

Eu criei meu primeiro fanzine incentivado por meu irmão, que produzia uma revista chamada BUSHI DENSETSU. Durante toda minha infância eu criei dezenas de personagens e histórias, porém em 2003 eu criei uma totalmente nova para meu primeiro fanzine chamado Dragão Escarlate. Eu estava no terceiro ano do ensino médio e não tinha grandes pretensões, fiz uma primeira edição apenas por diversão na minha escola. Em 2004 eu comecei a fazer aulas de música, e uma edição da revista caiu nas mãos do meu então professor, o maestro José Augusto Gói. Ele gostou muito do que viu, e começou a me incentivar a fazer uma tiragem grande. Através de contatos com uma gráfica, conseguimos um preço camarada para uma tiragem de 500 exemplares. Eu consegui cerca de R$475,00 de patrocínio, dando a cara a tapa de loja em loja na cidade que eu morava. Na tarde do dia 24 de Junho de 2004 eu estava com os exemplares nas mãos. Lembro até hoje da sensação de ver a revista bem feita, montada e pronta.

A revista Dragão Escarlate rendeu nove edições, e atualmente estou trabalhando em um “reboot” para lançar ela de forma oficial. Nove edições parecem pouco, mas são raros os fanzines de papel que conseguem chegar tão longe quanto a Dragão Escarlate chegou. Graças a esta revista eu conheci muitas outras pessoas que também produziam seu material próprio, troquei experiências e tinha um material para ser analisado por artistas de quadrinhos (normalmente os aspirantes a quadrinistas mostram só ilustrações, ao invés de produzirem páginas), sem falar que aprendi muito sobre edição, vendas, etc…

Este é o início de uma série de posts com dicas para quem quiser começar a produzir seu próprio material de quadrinhos, abordando temas e situações que aprendi nas experiências com os meus projetos. Espero que tenha gostado desta introdução, e caso tenha dicas, dúvidas ou sugestões de tópicos a serem abordados aqui, podem escrever nos comentários ou mesmo através do meu twitter – @rodjer_goulart

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