NA SEGUNDA VEZ É MELHOR

É muito comum ficarmos empolgados com um trailer ou informações de um filme, e corrermos para o cinema mais próximo no dia do lançamento (ou no dia que o cinema está com desconto), e grande parte das vezes saímos com os olhos brilhando pelo espetáculo… Mas já notou que na segunda vez que você olha o mesmo filme já não é a mesma coisa?

Quando vamos ao cinema empolgados com algum filme, é comum sairmos de lá empolgados com o espetáculo, mas quando vemos o filme novamente em dvd ou mesmo na televisão, parece que o encanto é diferente não é verdade? Eu aluguei estes dias o filme Missão Impossível: Protocolo Fantasma e notei esta sutil diferença.

AMOR A PRIMEIRA VISTA

Existem filmes que me empolgam bastante logo que são anunciados, e eu acompanho toda e qualquer notícia que sai sobre, me fazendo ir para o cinema com uma expectativa altíssima – o que muitas vezes acaba se tornando um tiro no pé. Não foram poucos os filmes que me frustraram por serem  muito a baixo daquilo que eu esperavam porém grande parte das vezes eu acabo saindo do cinema satisfeito com a película, empolgado e re-lembrando cada cena, ainda mais quando vejo o filme sozinho, pois não tem ninguém para dar uma opinião diferente e as vezes um pouco menos afobada. Quando assistimos a um filme que estamos empolgados no cinema, além de toda magia da grande tela, esta euforia acaba influenciando muito na nossa avaliação.

SEGUNDO ROUND

Após algum tempo o filme sai em dvd e alugamos para vermos com amigos ou mesmo re-velo por prazer, e desta vez você já sabe da trama, já conhece os personagens e as surpresas já não fazem o mesmo efeito, sem falar que você pode ter debatido com outras pessoas que tiveram opiniões diferentes da sua ou lido alguma resenha de site. Geralmente esta segunda visão sobre o filme acaba sendo mais analítica, pois como você já sabe a história, passa a prestar a atenção em outras coisas periféricas como a construção do filme em si, atuações, trilha sonora, efeitos, etc. Sem toda a magia do cinema, no conforto da sua casa, o filme acaba sendo bem diferente, e ai sim você forma uma opinião mais consistente sobre o mesmo.

ENTÃO O FILME FICA RUIM?

Eu acho que a primeira vez que você vê um filme no cinema é um espetáculo, algo feito para te impressionar e fazer viajar em cada nova cena. Não tem nada de errado em sair eufórico após ver um filme a qual você tenha achado bom, afinal a ideia do cinema é surpreender e ser uma experiência única. Acredito que um filme se torna ainda melhor na segunda vez que é visto, pois você consegue notar aquelas coisas que antes passaram rapidamente, saborear melhor cada momento e cena, e assim escolhendo por ou não o filme na sua lista de obras-primas.

Experimente alugar um filme que você viu recentemente no cinema e gostou para comparar a diferença das experiências. No cinema você tem uma maior imersão e a surpresa, no dvd você pode olhar tudo com mais atenção, os extras e ainda desfruta do conforto do lar. Eu me diverti demais re-vendo o Tom Cruise correr como nunca e me atendo a detalhes que não tinha notado da primeira vez, me fazendo gostar ainda mais do filme.

FILMES ALTERNATIVOS

Agora em fevereiro teremos a premiação do Oscar, que este ano está polêmica devido aos filmes indicados. Como sempre, muitos filmes alternativos entram na disputa da cobiçada disputa da estatueta dourada, e devido a isso acabam sendo conhecidas pelo grande público. Resolvi fazer um post dedicado a estes filmes que correm na contra-mão dos blockbusters e seus fãs que usam tênis verde.

NA CONTRA MÃO DOS BLOCKBUSTERS

A grande parte dos filmes é idealizada pelos seus produtores para ganharem dinheiro, o que acaba fazendo com que se enquadrem num padrão conhecido como BLOCKBUSTERS. Um filme alternativo foge desta premissa, dando liberdade artística a seus idealizadores. É comum ver em filmes alternativos cenas extensas e paradas, edição e cortes embaralhados, fugindo da linearidade tradicional – O que espanta as grandes massas. Se enquadram neste perfil os documentários e filmes que abordam temas políticos e sociais. Normalmente são estes filmes alternativos que recebem premiações como Oscar, Globos de Ouro, Urso de Ouro, etc.

TÊNISVERDICE

É comum entre os apreciadores de filmes alternativos o uso de tênis da cor verde (sério, pode prestar a atenção, já virou uma espécie de estereótipo). Esta peculiaridade me ajudou a criar o termo grau de “tênisverdice”, que serve para classificar o quão fã uma pessoa é de filmes alternativos (e quanto tempo ela consegue ficar na frente de um sem dormir, conversar sobre outro assunto ou simplesmente se levantar e ir embora). Veja dos níveis:

  • Nível 1: Você consegue ver os filmes alternativos que possuem elementos de Blockbuster, mas ainda os acha arrastados em alguns momentos. Atura um filme alternativo padrão por 5min. (ex: Todos do Tarantino).
  • Nível 2: Consegue ver filmes alternativos que ganham destaque na mídia para formar opinião. Um alternativo padrão por 15min (ex: Todos do Alfred Hitchcock).
  • Nível 3: Já consegue sentir a peculiaridade dos filmes alternativos, e se em grupo fica até o fim, sozinho aguenta até a metade. Já consegue ver filmes que não sejam americanos. (ex: Todos do Pedro Almodóvar).
  • Nível 4: Você já aprecia filmes alternativos o suficiente para entender seus finais e suas múltiplas camadas. Filmes franceses e iranianos estão no seu top 10. (ex: Todos do Stanley Kubrick).
  • Nível 5: Seu fim de tarde ideal seria uma sessão de cinema com Rubens Ewald Filho e José Wilker. (ex: Qualquer filme já feito).

 

Se você se interessou por filmes alternativos mas quer começar aos poucos, segue uma lista de filmes que você pode encontrar facilmente na locadora e ver se pega gosto pela coisa (se encaixam no nível 1 ao 3 de tênisverdice):

Baraka; Babel; Corra Lola, Corra; Amistad; Réquiem para um Sonho; Magnólia; Pequena Miss Sunshine; Efeito Borboleta; Cisne Negro; Perfume de Mulher; Um Beijo Roubado; O Ilusionista; Metropolis; Taxi Driver; O Amor nos Tempos do Cólera; Show de Truman; Scar Face; Senhor das Armas; Clube da Luta; O Menino do Pijama Listrado; O Labirinto do Fauno).

Caso queira procurar por diretor, apresento uma lista de alguns famosos por fazer filmes alternativos e alguns exemplos:

Irmãos Cohen (Queime depois de ler, Onde os fracos não tem vez); Roman Polanski (O bebê de Rosemary); Alfred Hitchcock (Janela Indiscreta, Psicose, Pássaros); Lars Von Trier (Dançando no Escuro, Dogville, Melancolia); Pedro Almodóvar (Volver, Fale com ela, A Pele que Habito); Federico Fellini (Noites de Caribia, A Doce Vida); Godard (Aplhaville, Carmen); Stanley Kubrick (O Iluminado, 2001 – Uma Odisseia no Espaço, Laranja Mecânica); Jean-Pierre Jeunet (O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, Ladrão de Sonhos); Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão, Don Juan de Marco); Woddy Allen (Vick, Cristina, Barcelona, O Escorpião de Jade); Bernardo Bertolucci (O Último Tango em Paris, Os Sonhadores); Quentin Tarantino (Cães de Aluguel, Pulp Fiction – Tempos de Violência. Kill Bill vol.1 e vol.2).

Existem muitos filmes alternativos excelentes, que acabam tendo seu reconhecimento apenas do meio underground. Se você é fã de um estilo de cinema mais pipoca, tente dar chance a esta linha alternativa. Pegue um dos filmes listados veja qual seu grau de tênisverdice e depois poste aqui nos comentários. ;^)

FRACASSOS DE BILHETERIA

Nem sempre um projeto tem o retorno esperado, fazendo com que os produtores acabem não conseguindo recuperar o investimento inicial. No cinema é comum vermos obras faraônicas que não atingem o sucesso esperado nas bilheterias, muitas vezes destruindo a carreira do diretor, atores e todos os envolvidos. Porque temos tantas bombas cinematográficas todo o ano?

CAMPANHAS PROMOCIONAIS

Antigamente era muito difícil saber antecipadamente sobre as produções cinematográficas. Você sabia das informações através da revista SET ou programas de tv como o Fantástico. Com o advento da internet ficou muito mais fácil acompanhar o andamento da produção desde seu anuncio e escolha de diretor até o vazamento de cenas não editadas. As produtoras passaram a usar estes novos recursos como forma de promoção e divulgação, criando campanhas virais e aumentando a expectativa do público alvo. O problema é que muitas vezes as campanhas acabam fazendo a obra parecer muito melhor do que ela é de fato, e quando o filme finalmente é lançado acaba tendo um bilheteria ínfima. Normalmente quando um filme vai mal na bilheteria estrangeira, ele costuma chegar ao Brasil direto em DVD, pois as distribuidoras preferem não gastar com a exibição nos cinemas de algo que já fez fiasco lá fora.

DECEPÇÕES

Quando fico interessado em algum filme que está sendo produzido, procuro me informar sobre tudo até o limite que não me estrague o filme em si. Procuro assistir os trailers, ver fotos dos atores e bastidores e tudo mais. Muitos trailers são feitos de uma forma que elevam a expectativa aos céus, fazendo você falar “ESTE VAI SER O MELHOR FILME DA MINHA VIDA!” Porém acaba sofrendo o efeito “abertura de desenho” – Já viu aqueles desenhos em que na abertura tem ação e explosão a cada segundo mas durante o episódio não chega na metade disso? Muitos filmes passam por isso, tendo seus trailers muito melhores que a película completa. Passei por isso com filmes como FÚRIA DE TITÃS, X-MEN ORIGEM: WOLVERINE e as duas sequências de MATRIX.

FRACASSOS DE 2011

O site americano Hollywood Reporter fez uma lista com os quinze filmes com as piores bilheterias de 2011. Até mesmo SUCKER PUNCH: MUNDO SURREAL que eu gostei bastante teve um péssimo desempenho e está dentro deste ranking. Segeue abaixo a lista:

  • “Roubo na Alturas” – Orçamento: US$75 milhões. Bilheteria mundial: US$126.3 milhões
  • “Lanterna Verde” – Orçamento: US$200 milhões. Bilheteria mundial: US$219.9 milhões
  • “Cowboys & Aliens” – Orçamento: US$163 milhões. Bilheteria mundial: US$178.8 milhões
  • “Glee 3D: O Filme” – Orçamento: US$9 milhões. Bilheteria Mundial: US$18.7 milhões
  • “Não Sei Como Ela Consegue” – Orçamento: US$24 milhões. Bilheteria Mundial: US$30.5 millhões
  • “Sucker Punch – Mundo Surreal” – Orçamento: US$82 milhões. Bilheteria mundial: US$89.8 milhões
  • “Arthur – O Milionário Irresistível” – Orçamento: US$40 milhões. Bilheteria Mundial: US$45,7 milhões;
  • “Noite de Ano Novo” – Orçamento: US$56 milhões. Bilhetria mundial: US$54,9 milhões;
  • “O Enigma do Outro Mundo” – Orçamento: US$38 milhões. Bilheteria mundial:  US$27,4 milhões;
  • “Anonymous” – Orçamento: US$30 milhões. Bilheteria mundial: US$14,8 milhões;
  • “Happy Feet 2: O Pinguim” -Orçamento: US$135 milhões. Bilheteria mundial: US$115 milhões;
  • “O Diário de Um Jornalista Bêbado” – Orçamento: US$45 milhões. Bilheteria mundial: US$21,6 milhões;
  • “The Big Year” – Orçamento: US$41 milhões. Bilheteria mundial: US$7,4 milhões;
  • “Conan, O Bárbaro” – Orçamento: US$90 milhões. Bilheteria mundial: US$48,8 milhões;
  • “Marte Precisa de Mães” – Orçamento: US$150 milhões. Bilheteria mundial: US$39 milhões.

DE QUEM É A CULPA?

Acredito que não tem como definir um culpado para o fracasso de bilheteria de um filme, pois isso é muito relativo. Pode ser pelo roteiro ruim, atuações fracas, no caso de adaptação fugir muito da obra de origem (como já comentei antes AQUI), ou simplesmente ser uma obra ruim que dói. Alguns filmes já são rejeitados pelo público antes de ficarem prontos, mas os produtores ou ignoram, ou tentam fazer mudanças e remendos as pressas que só bagunçam mais as coisas. Talvez os filmes não devam ser feitos visando a bilheteria, mas acredito que a opinião pública deve ser levada em conta quando você investe milhões em algo e pretende ter algum retorno.

ADAPTAÇÕES

Nos dias de hoje é normal vermos obras que ao fazerem sucesso migram para outros formatos, o mais comum é a conversão para cinema. Porém toda conversão de formato exige uma adaptação, e este é o tema que será abordado no post de hoje.

FORMATOS

A maioria das obras durante sua concepção é pensada para caber dentro do formato que lhe cabe, seja um livro, filme, seriado, quadrinho, animação ou mesmo roteiro de game. O autor da obra costuma dominar o formato que usou para fazer esta obra, e quando decidem fazer uma adaptação, ele precisa confiar seu trabalho nas mãos de outras pessoas que entendem melhor da mídia a qual seu projeto vai migrar. Em alguns casos o autor é sondado para opinar sobre cada etapa da produção, ficando como consultor do projeto, e outras vezes ele apenas vende os direitos e confia no talento das pessoas envolvidas. A visão que o autor tem de sua obra é diferente das visão que os produtores terão, pois eles vão vê-lá no formato novo, e o autor vai se basear no seu formato original.

Eu acredito que uma boa forma de saber se a adaptação de algo está indo por um bom caminho ou não é sondar os fãs, usa-los como termômetro de qualidade. Engraçado que muitas adaptações (principalmente as cinematográficas) parecem ignorar totalmente a opinião dos fãs sobre o projeto, mesmo quando eles lançam alguma foto ou prévia do projeto e são execrados por estarem fazendo merda. Isso acontece muitas vezes porque certos produtores querem fazer um filme para o grande público, e não para os fãs, mas ao fim acabam fazendo um filme tão ruim que faz o público em geral torcer o nariz até para a obra original.

QUADRINHOS E O CINEMA

O mundo dos quadrinhos é um dos que mais sofre com as adaptações cinematográficas (só perde para o mundo dos games, a qual já falei AQUI e AQUI). O mundo dos quadrinhos, principalmente o dos super-heróis, não tem como ser adaptado de maneira fiel para o cinema sem ficar ridículo, o que acaba culminando em uma adaptação muitas vezes radical – e é ai que reside o problema. Os elementos a serem modificados ficam a cargo muitas vezes de um diretor que quer colocar sua assinatura pessoal no personagem. Vamos pegar o Batman como exemplo:

Os dois primeiros filme do começo da década de 90 tiveram Tim Burton na direção, que conseguiu dar um tom mais sombrio ao personagem e acabou criando a “armadura” no uniforme, que viraria padrão para os outros filmes, só para fazer o ator Michael Keaton parecer mais forte. Depois disso os filmes caíram nas mãos de Joel Schumacher, que transformou o clima sombrio em carnavalesco e semi-homossexual (alguém falou “bat-mamílos”?). Após tanta cagada na franquia, a DC decidiu chamar Christopher Nolan para fazer um reboot na franquia, e ele conseguiu trazer fazer uma adaptação que respeita tanto os fãs quanto a própria mitologia do personagem.

Toda conversão necessita de adaptações, afinal nem sempre o que funciona em um formato consegue sucesso em outro. Uma solução são as obras que já nascem planejadas para possuírem vários formatos, muitas vezes os usando como uma forma de expansão do universo.O jeito é confiar (e torcer) para que as obras que gostamos e amamos caiam em mãos de produtores que respeitem o espirito delas, ou que não sejam adaptadas e permaneçam em seu formato.

*Para quem quiser ler mais sobre o assunto, tem um ótimo post no blog do meu amigo e colega de estúdio Rogério de Souza, veja AQUI.

LINGUAGEM DOS QUADRINHOS

Neste fim de semana eu estava conversando com meu amigo e colega de estúdio Maurício Dias sobre quadrinhos e sua linguagem, acabamos debatendo algumas coisas bem interessantes a qual achei válidas para abordar em um post.

QUADRINHOS E O CINEMA

Muito se fala do dinamismo do mangá, de como ele consegue passar o dinamismo do cinema para as páginas, pegando emprestado um pouco da ação e emoção da sétima arte, mas talvez a questão do quadrinho vai além disso. O quadrinho não deve pegar o dinamismo do cinema para se fazer valer em sua arte, mas sim deve se valer de recursos e técnicas que são próprias de sua linguagem.

Ultimamente ando fugindo do nicho de mangá e lendo mais comics, graphic novels e quadrinhos alternativos. É incrível a variedade de técnicas que existem de um estilo para o outro, e todas com recursos interessantíssimos de narrativa e estética que apenas nos quadrinhos você poderia encontrar. Ultimamente os games e filmes estão tentando pegar emprestado técnicas de quadrinhos, como no caso dos filmes do diretor Zack Snyder. Ele faz cenas em câmera lenta, ângulos impossíveis e usa de muito dinamismo, mas ainda assim não consegue reproduzir o efeito exato conseguido em uma página de HQ.

CONTROLE DO TEMPO

Uma das principais ferramentas dos quadrinhos é a forma de controlar a passagem de tempo. O artista consegue dominar e brincar com o tempo dentro da história conforme lhe convém, manipulando a forma como o leitos vai compreende-la. Existem quadrinhos que te proporcionam uma leitura rápida, e outros que possuem a mesma quantidade de página mas parecem te segurar muito mais.Isso não quer dizer que uma seja melhor que a outra, mas sim são propostas diferentes.

Quanto mais eu tenho estudado e lido sobre quadrinhos, mais tenho observado como existem mecânicas muito ricas e inteligentes muito bem aplicadas por gênios como Will Eisner, Allan Moore, Neil Gaiman, etc. Se você esta habituado a ler apenas um gênero de quadrinhos, recomendo um passeio por outros estilos, para se surpreender ao ver como as histórias contadas com imagens sequenciais podem ser variadas e fabulosas.

É MELHOR NÃO PENSAR MUITO NISSO

Nem tudo que vemos no mundo são criações geniais (alias, a grande maioria não é) e devido a isso acabamos nos deparando com obras sem eira nem beira, que fogem da realidade ou não possuem bases sólidas. Mas será que vale a pena ficar tão “Caxias” com tudo?

O maior exemplo disso são aqueles filmes que se você parar uns dois segundos para analisar o roteiro, vai notar um furo enorme, ou aquelas cenas em que na física praticamente não existe. Eu tento ter boa vontade enquanto assisto a um filme, deixar a mente aberta e me entreter com a obra pelo seu conjunto, descartando ocasionais furos, porém algumas vezes fica impossível deixar passar e você acaba pegando um asco pela tal película. Eu usando como exemplo filmes, mas isto se aplica a qualquer tipo de arte, desde livros, quadrinhos, teatro e por ai vai. Mas existe diferença entre furos por incompetência do artista e obras que fogem do real por serem fantasiosas.

Nem tudo deve ser coerente quanto a realidade, pois se tudo fosse extremamente realista seria terrível. Existe a chamada “licença poética” que é uma espécie de permissão concedida para o artista poder ter liberdade criativa. Um bom exemplo são filmes que se enquadram no sub-gênero ficção-científica como STAR WARS, onde existe som no espaço durante as batalhas de nave. Como roteirista e escritor nas horas vagas eu posso dizer, é muito difícil ser criativo quando se está preso as amarras da realidade, e acredito que a arte existe justamente para ser o agradável doce para tirar da nossa garganta o gosto amargo da realidade que temos que encarar no dia-a-dia. Eu gosto de fantasiar e escrever loucuras, e quem quiser ver realidade, vai olhar a janela da sua casa. É necessário se conhecer a realidade para poder distorce-la. Já ouvi muitas pessoas falarem que o pintor Picasso não sabia desenhar por fazer aqueles quadros com a figura humana distorcida, mas não sabem que ele já fez muitas coisas realistas, e fez aquilo encima do conceito que ele já conhecia.

“A mente é como um para-quedas, só funciona quando se abre”. As obras podem ser fantásticas, sem pé nem cabeça ou totalmente surreais mas ainda assim possuírem coerência enquanto arte, enquanto obras calcadas no real podem possuir tremendos furos e serem terríveis. Acredito que toda obra merece o benefício da dúvida e alguns minutos para ver se presta ou não (salvo exceções de coisas que são tão lixosas que não merecem nem um milésimo de atenção). Não descarte um obra inteira por ocasionais furos, as vezes em meio as enormes crateras você  pode encontrar algo bem interessante.

OS FILMES QUE NUNCA MAIS QUERO VER

Eu sou um amante do cinema, sempre disposto a ver os mais variados tipos de filmes (não chego a me considerar um cinéfilo por derrapar nos clássicos, mas estou quase apto a compra meus tênis verdes), mas existem algumas obras que você faz questão de nunca mais ver na sua vida. Como daria muito trabalho listar de cabeça todos os filmes que eu nunca mais quero ver, resolvi enquadrar esta categoria em alguns tipos:

  • Existem aqueles filmes que você fica maluco para assistir, super empolgado, mas fica frustrado quando ele chega ao fim e suas expectativas não são correspondidas. Para mim um exemplo disto é o filme Lolita com Jeremy Irons, pois quando fui ver fiquei maluco achando que seria um filme DAQUELES!… No fim me deparei com uma história mega triste que quase me levou as lágrimas, peguei trauma.
  • Muitas vezes você já prevê que o filme será ruim, mas acaba sendo levado a assisti-lo quase que por obrigação. Enquadram-se neste tipo os filmes infantilóides ou os que os cônjuges e familiares nos forçam a assistir. Eu tive que assistir Hanna Montana 2 com uma ex-namorada (por sorte não precisei ver até o fim).
  • Alguns filmes você assiste o primeiro e deseja nunca mais ver não só ele como toda a franquia do mesmo. Cito como exemplo aqui a franquia Premonição, em que TODOS os filmes são iguais, variando apenas as formas das mortes forçadas.
  • Certos filmes você assiste, não gosta e diz que nunca mais vai ver, mas quando passa na televisão você senta no sofá e se amaldiçoa por ter gastado seu tempo ali. Por mais que eu me puna, toda vez que passa X-MEN 3-O Confronto Final eu acabo sentando pra ver, mesmo sabendo que é uma merda de filme.
  • A nossa memória pode acabar nos traindo e em alguns casos você acaba sentando pra assistir um filme que já viu, e só em determinada cena você se lembra de que não gosta do filme. Como esta é uma categoria que nos trai a memória, eu não tenho como citar algum agora.
  • Por falar em memória, existem os filmes que você assiste uma vez e adora, daí quando vai assistir anos mais tarde com outra cabeça, acaba vendo que eram uma merda. Neste tipo se enquadram muitos filmes que assistimos na infância sem entender direito, e daí quando o revemos após a infância notamos que são uma lastima. Isso aconteceu comigo ao ver novamente Independence Day (como não havia reparado que  aqueles discos voadores eram horríveis?).
  • Eu normalmente defendo a ideia de que para você possuir uma opinião consciente sobre um filme você precisa assisti-lo, porém existem certas obras que são tão ruins que não é necessário perder seu tempo assistindo elas. Posso citar como exemplo várias adaptações de games para o cinema como THE KING OF FIGHTERS, STREET FIGHTER – A LENDA DE CHUN-LI e TODOS os filmes do diretor Uwe Boll.

São estes os tipos a qual eu consegui enquadrar os filmes que não quero ver nunca mais. Compartilhe nos comentários quais os filmes que definitivamente fazem você fugir do sofá.

OBRAS QUE ANIMAM

Em outras ocasiões eu já comentei aqui no blog sobre como gostaria como a arte é capaz de afetar as pessoas, influenciar seus ânimos e sentimentos. Neste post vou falar um pouco sobre alguns filmes que eu procuro assistir quando preciso animar um pouco.

O mundo não é fácil de lidar, e acredito que uma das principais funções da arte é levar o ser humano para outros mundos, outras realidades, assim esquecendo – nem que seja por alguns instantes – dos problemas de sua vida. A televisão é um dos maiores exemplos disso, pois mais da metade da sua programação é feita de programas de entretenimento massivo, sejam eles novelas com tramas manjadas, programas de auditório sem cérebro ou reality shows babacas. Mais do que entreter, eu acredito que a função da arte seja agregar algo novo as pessoas, a tornando seres humanos melhores. Se você prestar a atenção, grande parte das obras (pelo menos as melhores) possuem um ensinamento, uma lição de moral, alguma mensagem que o artista quis transmitir através de seu trabalho, afinal a arte nada mais é do que uma forma de expressão.

Uma das mídias que mídias que mais conseguem levantar as pessoas e agregar algo de bom é o cinema, com seu mundo fantástico e imediato onde tudo acontece bem diante de seus olhos, sem muito esforço. O cinema usa e abusa dos efeitos especiais, dos bons atores e da trilha sonora para embalar o espectador em sua viajem. Muitas vezes nos identificamos com a trama do filme por estarmos passando por alguns momento que lembra a situação do protagonista, ou mesmo por querermos passar por determinada situação. Eu lembro até hoje de quando assisti MATRIX no cinema em 1999 com meus amigos. Eu tinha apenas 14 anos e estava naquela fase da adolescência em que você não fica perdido e esta com a estima lá embaixo (ou seja, quase toda adolescência), e vi naquele filme surreal a mensagem de que nada é impossível, varia apenas o grau de dificuldade mas com determinação somos capazes de tudo. Eu estava com todo de preto com uma jaqueta preta gigante, e sai correndo do cinema como se pudesse voar como o Neo na cena final. Tenho um enorme carinho por este filme não só por acha-lo fantástico, mas também por tudo que ele significa pra mim.

Dentre todos os filmes que conseguem me animar, existe um em especial que me cativa demais: O FEITIÇO DO TEMPO. Para quem não conhece, neste filme o personagem de Bill Murray é um homem do tempo e vai cobrir em uma pequena cidade do interior dos EUA o “Dia da Marmota”, onde acaba ficando preso na cidade por causa de uma forte nevasca. A trama se complica quando ele nota que esta condenado a viver o mesmo dia não importa o que ele faça. Este filme tem o estilo clássico “Sessão da Tarde” e mesmo sendo antigo é um clássico, mas quando eu o assisto, consigo mergulhar fundo nas emoções do personagem, e por isso quando ele consegue quebrar o feitiço no fim, absorvo a alegria sem tamanho que ele sente. Com a mensagem de que é você que faz o seu dia, e não o seu dia que faz você, O FEITIÇO DO TEMPO sem dúvida é um dos meus filmes favoritos.

Eu poderia ficar um longo tempo escrevendo sobre os filmes que me animam (como ROCKY – UM LUTADOR, HOMEM-ARANHA 2, SHERLOCK HOLMES, etc…), mas sejam filmes, livros, músicas, peças teatrais, quadrinhos, as artes que conseguem nos tocar são únicas para cada um de nós (seja através de experiências vividas ou simplesmente gostos pessoais). Escreva nos comentários quais as principais obras que conseguem fazer com que você se sinta melhor.

MENINA DE OURO

Vencedor de 4 oscars em 2005 – filme, diretor, ator coadjuvante (Morgan Freeman) e atriz (Hilary Swank) – Menina de Ouro (Million Dollar Baby) é um filme que coloca você pra pensar sobre sua vida. É um drama extraórdinario e mereceu cada prémio recebido.

O filme conta a história de uma mulher que faz de tudo para ser treinada por um grande treinador. Após muita insistencia dela, ele a treina e vira seu agente, acompanhando seu sucesso. Clint Eastwood dirige e atua brilhantemente, você consegue sentir a dor de seu personagem em cada cena, enquanto Hilary Swank consegue fazer uma personagem doce e ao mesmo tempo forte e determinada, pois mesmo nos piores momentos ela conseguia segurar as dores que sentia (sejam físicas ou não). O personagem de Morgan Freeman narra tudo de uma maneira brilhante, conduzindo e descrevendo com poesia.

Frank, o personagem de Clint é um homem amargurado que possui uma filha a qual ele envia cartas e ela nunca responde. Ele procura apoio na igreja e na fé, mas acaba encontrando uma redenção junto a Mag, e cria um forte laço com ela. Eu gosto deste tipo de filme em que mostra duas pessoas de sexo oposto tendo um vínculo forte de afeição sem ser como um casal, mas nem por isso menos forte.

A trilha sonora bate bem com o filme, eu destaco os momentos em que tocam temas que remetem ao interior e ao campo quando mostra algo referente a vida da personagem de Hilary, ajudando a entrar no clima da cena.

(SPOILER) A única coisa que achei realmente que poderia ter sido melhor elaborada foi aquela queda no estilo “Premonição” em que ela cai com a cabeça na quina do banco caido.

O personagem de Clint vive repetindo a frase “Antes de tudo, se proteja”, e isto serve para todos nós, pois a vida não avisa quando vai dar algum golpe, e devemos estar sempre com a guarda levantada para suportarmos o quão forte a realidade pode nos ser – caso contrário beijamos a lona.

ADAPTAÇÕES DE GAMES PARA O CINEMA

É comum que quando algo faz grande sucesso em uma mídia seja convertida para outro formato, sejam livros que viram filmes (Harry Potter, Crepúsculo, Senhor dos Anéis), desenhos que viram filme (Transformers), porém tem um tipo de convergência que raramente da certo: jogos de  vídeo-game para cinema.

Quando é anunciado um filme baseado em jogo atualmente, todos os fãs já ligam suas antenas ao máximo, pois durante anos grandes nomes do mundo dos games foram destruídos na telona. Geralmente são jogos de luta que são convertidos para as telas, sendo que normalmente são estes os jogos que possuem uma pior trama ou história para ser adaptada de forma fielmente. Quando o roteiro é feito, os roteiristas usam como base o jogo e tomam liberdade de criar muitas coisas para preencher as lacunas, e no fim o que se vê é um filme com muitos efeitos especiais, e muito pouco da obra cuja qual foi baseado.

Vamos pegar como exemplo o filme STREET FIGHTER com Van Damme. O jogo da Capcom é sobre um torneio de rua organizado pela Shadaloo. Dos diversos lutadores de cada parte do mundo, temos como protagonista da trama Ryu, um japonês que anda socando pessoas atrás do mais forte. Na versão cinematográfica feita pelos EUA, o protagonista é Guile (pois ele é americano) e ele faz uma caça ao terrorista M.Bison… Os personagens do jogo foram colocados no filme, alguns com suas respectivas roupas e outros totalmente fora de seu perfil (o que era aquele Dhalsin?). A conversão da mídia não levou em conta a base do jogo (nem se quer chegou perto de um torneio).

Para compensar, os japoneses fizeram uma animação para cinema de Street Fighter muito mais fiél ao jogo, se o filme live-action tivesse como base a animação seria muito melhor. Recentemente foi feito um novo filme americano de Street Fighter colocando a chinesa Chun-Li como protagonista… Eu achei o trailer tão broxante que estou evitando se quer ver a capinha deste filme. O mesmo ocorre com a adaptação de THE KING OF FIGHTERS, que tem uma trama muito mais fácil de ser convertida para o cinema (e personagens com roupas fáceis de serem feitas), mas que esta recebendo uma adaptação que a cada foto ou cena faz um punhado de fãs do jogo se atirarem de prédios segurando sua coleção de cds do jogo.

Até hoje o melhor filme baseado em um jogo que eu vi foi MORTAL KOMBAT (apenas o primeiro). Os personagens que aparecem foram muito bem adaptados, mantendo o clima do jogo, infelizmente não teve a violência que o título merecia, mas mesmo assim conseguiu agradar muita gente e ainda sim ter lutas decentes.

Existe uma esperança a vista, é o filme baseado do jogo TEKKEN. Tenho acompanhando as imagens e noticias, e recentemente o trailer que saiu. Até agora tudo em ordem, fiel ao jogo e ao mesmo tempo sendo bem convertido. O protagonista Jin Kazama é feito pelo ator Jon Foo, que é um grande lutador, e os outros personagens também são feitos por atores que realmente sabem lutar. O filme tem previsão de lançamento ainda em 2010 no Japão.

Certas ideias não funcionam em outras mídias (por favor, não façam um filme de Mega Man), e talvez por isso os filmes sejam tão difíceis de fazer, Tekken é uma esperança, mas veremos. Engraçado que os jogos baseados em filmes não costumam ser bons também, mas isto é assunto para outro post…