Estou começando uma nova série de posts aqui no blog onde pretendo divulgar quadrinhos on-lines interessantes e divertidos. Existe muita gente fazendo trabalho de qualidade de forma independente na internet sem a visibilidade necessária, e acabam tendo seu reconhecimento através do boca-a-boca e da divulgação daqueles que viram seu trabalho. Para começar, falarei do blog Debiloid’s, do meu amigo e colega de estúdio Rogério de Souza.
Os Debiloid’s é um blog de quadrinhos onde você encontra as tirinhas do Dédis, um simpático alienígena que vive na Terra com sua familía e amigos malucos, vivendo aventuras de outro mundo (Sessão da Tarde fellings). Você também encontrará as histórias da Super Gang, uma equipe de super-heróis com todas as peculiaridades e confusões presentes em equipes com heróis poderosos. No site você também pode adquirir os fanzines temáticos de Debiloid’s, sobre eventos de anime e sobre super-heróis.
Além de quadrinhos, no Debiloid’s você encontra matérias nerds, dicas de criação de quadrinhos na sessão “problemas de criação”, divertidíssimas resenhas dos episódios de Spectreman e muito mais.
O blog Debiloid’s é muito divertido e sempre tem novidades, a visita é garantia de diversão certa. Além deste blog, Rogério também é autor do fanzine da Turma da Mônica Menores do Amanhã, mas deste falaremos outro dia.
Há algum tempo vem sendo anunciado na imprensa um novo filme das Tartarugas Ninjas (Teenage Mutant Ninja Turtles no original), e o “bombástico” diretor da empreitada Michael Bay gerou uma polêmica maior do que mamilos quando anunciou que as tartarugas em seu filme seriam alienígenas. Eu sei que já falei bastante sobre adaptações de coisas para o cinema como AQUI, mas este é um tema a qual acho que sempre se tem um pouco mais para se debater.
SANTA TARTARUGA PESSOAL!
Muita gente não sabe, mas as Tartarugas Ninjas nasceram nos quadrinhos independentes em 1984 nas mãos de Kevin Eastman e Peter Laird, em histórias violentas e cheias de ação (como é de se esperar de um quadrinho de ninjas), mas quando migraram para a animação no começo da década de 90, ficaram fofas e engraçadinhas para poder atingir uma faixa etária menor. Com o tempo várias animações e até um terrível seriado live-action foram produzidos. Para o cinema foram três filmes (eu lembro de ter gostado muito dos dois primeiros, mas como os vi antes dos meus quinze anos, prefiro não voltar a ver e poder estragar minha memória). Nos games elas protagonizaram alguns dos jogos beat’n up mais divertidos já feitos, campeão de fichinhas em fliperamas e de aluguel nas locadoras de games. Eu e meu irmão adorávamos o desenho, tínhamos vários bonequinhos e meu irmão chegou a montar a casa delas no esgoto e o furgão que elas usavam.
KAWABANGA!
Mexer em algo querido por muitas pessoas de forma drástica é sempre tenso, e Tartarugas Ninjas possui muitos fãs saudosistas. Todas as versões já feitas, seja para cinema, quadrinhos ou televisão não fugiam da premissa básica: Quatro tartarugas filhotes caem no esgoto e entram em contato com uma misteriosa substância radioativa, ganhando forma humanoide e recebendo nomes derivados de pintores consagrados. Elas são treinadas por um rato humanoide mestre de artes marciais (que em algumas versões é um rato transformado e em outras um humano que virou homem-rato), e como principal inimigo têm o Destruidor, Kraig e seu clã do pé. Michael Bay parece propor algo que vai fugir desta linha, o que provocou a ira de muitas pessoas.
NOVA PROPOSTA
As tartarugas foram um fenômeno a décadas atrás, mas nos dias de hoje talvez não fossem fazer o mesmo sucesso entre a garotada (ou não). Apesar da “heresia”, acredito que Michael Bay está tentando uma nova proposta assim como fez com transformers, fugindo bastante do original e criando algo totalmente novo, podendo aproveitar a liberdade que isto proporciona. Os fãs devem ver isto como um novo produto, e não como uma “adaptação” daquilo a qual já conhecem. Até ficar pronto não temos como saber como será, quem sabe pode vir a surpreender e ser bem divertido (até agora o que se pode esperar são explosões sucessivas já características de Bay). Quem sabe a proposta fique tão diferente da original que no fim vai virar LONTRAS SAMURAIS TATUADAS DE BEVERLY HILLS.
Ainda estamos na moda de adaptações e conversões, e isso sempre será polêmico. Existem as adaptações fiéis e as que usam o original apenas como base, mas qualquer uma delas pode ser boa ou ruim, isso vai depender da competência dos envolvidos. Ficaremos no aguardo de mais detalhes sobre o projeto e torcendo para que saia algo bacana deste balaio de gato – ou melhor, de “tartaruga”.
Já se tornou comum vermos adaptações de livros que fazem sucesso para as telas do cinema. Jogos Vorazes (Hunger Games) da escritora Suzanne Collins não ficou de fora e esta sendo a bola da vez. Mas ao contrário de sucessores como Harry Potter e Crepúsculo, acredito que esta nova série consegue ser mais profunda e contestadora em alguns quesitos.
QUE A SORTE SEMPRE ESTEJA A SEU FAVOR
Em um futuro não muito distante na América do Norte, doze distritos se rebelam contra o domínio da capital mas perdem. Para lembrar quem esta no comando, foram criados os “Jogos Vorazes”, onde cada distrito oferece dois jovens entre 12 e 18 anos como “tributos” em uma batalha de vida ou morte onde apenas um sobreviverá. Para o distrito do vencedor são dadas regalias e fornecimento de suprimento extra durante um ano. Estes jogos são transmitidos pela mídia e se tornaram um dos maiores entretenimentos de massa desta época. A protagonista é Katniss (representada pela já indicada ao Oscar Jennifer Lawrence), uma jovem de 16 anos do distrito 12 que se oferece no lugar da irmã caçula, que havia sido sorteada como tributo.
O filme tem uma dose de violência, mas não é nada “gore” com tripas voando de forma gratuita. O diretor optou por fazer algumas cenas com a câmera balançando, o que deixa a cena mais tensa e ainda consegue deixar menos explicito o embate entre as crianças. A trama vai além de uma história de ação e aventura, mas também foca em como o mundo pode exigir seu controle e a luta para por aquilo que você acredita em um governo dominante, que influencia a massa através de entretenimento barato e manipulação direta. As celebridades e a adoração irreal da população também são foco da discussão, mostrando que um ídolo pode fazer a diferença se usar sua influencia para levantar questionamentos.
CATIVANDO NOVOS LEITORES
Eu assisti ao filme duas vezes, e uma delas com um grupo de pessoas que nunca haviam ouvido falar do mesmo. Analisei a reação deles durante o filme, as surpresas e emoções capitadas de forma precisa em cada momento, e quando saíram começaram a especular se haveria continuação e como seria, e também opinarem quanto ao mundo apresentado. Uma destas pessoas disse que iria atrás dos livros para ler, ou seja, o filme cumpriu um dos seus papeis com eficácia.
Dos filmes baseados em literatura infanto-juvenis, Jogos Vorazes foi o que mais achei interessante. Possui personagens cativantes, um universo interessante e trás para os jovens de hoje questionamentos interessantes para suas vidas. Quem sabe histórias com personagens de fibra coloquem algo na cabeça dessa moçada.
Toda forma de arte passa por mudanças significativas, refletindo as transformações do mundo ao seu redor, e com a nona arte não poderia ser diferente. Atualmente ando trabalhando em uma série de Sketch Cards da Marvel Comics referente a chamada Era de Bronze dos quadrinhos, uma fase onde muitas mudanças marcariam a forma de se ver as hqs.
FIM DO PURITANISMO
Na Era de Prata, os quadrinhos seguiam uma linha puritana, com menos violência e sensualidade, pois o selo Comic Code Authority na capa garantia que as revistas não teriam nada considerado maduro (isso culminou na falência de muitas editoras, que viviam de quadrinhos de terror e suspense, fazendo o gênero de super heróis ganhar força total). No fim da década de 60 surgia a Era de Bronze, trazendo amadurecimento para os personagens, pois o foco do público havia deixado de ser as crianças, sendo necessária a abordagem de temas mais sérios. Aos poucos os quadrinhos começavam a se livrar do código de ética imposto na Era de Prata, e temas mais densos como alcoolismo, drogas e racismo eram abordados e discutidos, deixando alguma moral ou exemplo para o leitor.
NOVAS ABORDAGENS
As minorias ganharam espaço durante a Era de Bronze, trazendo um novo leque de possibilidades para as hitórias. Versões femininas de heróis nasciam como a Mulher-Hulk, Mulher Aranha, Super Girl e Miss Marvel. A raça negra ganhava representantes como a Tempestade, Luke Cage, Cyborg e Blade. Os X-Men já existiam, mas foi durante a Era de Bronze que teve o surgimento da segunda equipe (onde Wolverine dava o ar da graça) e que suas histórias passaram a fazer sucesso. O preconceito contra os mutantes e a perseguição de minorias virou assunto recorrente em suas histórias. As artes-marciais estavam na moda, e com isso heróis com poderes baseados em técnicas de luta como o Punho de Ferro recheavam as páginas. Conan chegava aos quadrinhos, trazendo uma onda de violência e sexualidade que quebrou tabus, dando força para o ressurgimento de gêneros como capa e espada e até mesmo o velho terror, tirando a predominância dos poderosos com uniformes coloridos. As Guerras Secretas aconteciam na Marvel e muitos personagens tiveram seu visual modificado, como o Homem-Aranha, que ganhava o uniforme negro (que mais tarde se tornaria o vilão Venom).
Graças a Era de Bronze os quadrinhos passaram a abordar temas mais sérios e deixaram de ser um produto direcionado apenas ao público infantil. Seu fim se deu na segunda metade da década de 80, quando histórias mais densas onde o argumento muitas vezes se destacava ao visual nasciam (como o caso de O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller), mas isto é assunto para outro post.
Nem sempre um projeto tem o retorno esperado, fazendo com que os produtores acabem não conseguindo recuperar o investimento inicial. No cinema é comum vermos obras faraônicas que não atingem o sucesso esperado nas bilheterias, muitas vezes destruindo a carreira do diretor, atores e todos os envolvidos. Porque temos tantas bombas cinematográficas todo o ano?
CAMPANHAS PROMOCIONAIS
Antigamente era muito difícil saber antecipadamente sobre as produções cinematográficas. Você sabia das informações através da revista SET ou programas de tv como o Fantástico. Com o advento da internet ficou muito mais fácil acompanhar o andamento da produção desde seu anuncio e escolha de diretor até o vazamento de cenas não editadas. As produtoras passaram a usar estes novos recursos como forma de promoção e divulgação, criando campanhas virais e aumentando a expectativa do público alvo. O problema é que muitas vezes as campanhas acabam fazendo a obra parecer muito melhor do que ela é de fato, e quando o filme finalmente é lançado acaba tendo um bilheteria ínfima. Normalmente quando um filme vai mal na bilheteria estrangeira, ele costuma chegar ao Brasil direto em DVD, pois as distribuidoras preferem não gastar com a exibição nos cinemas de algo que já fez fiasco lá fora.
DECEPÇÕES
Quando fico interessado em algum filme que está sendo produzido, procuro me informar sobre tudo até o limite que não me estrague o filme em si. Procuro assistir os trailers, ver fotos dos atores e bastidores e tudo mais. Muitos trailers são feitos de uma forma que elevam a expectativa aos céus, fazendo você falar “ESTE VAI SER O MELHOR FILME DA MINHA VIDA!” Porém acaba sofrendo o efeito “abertura de desenho” – Já viu aqueles desenhos em que na abertura tem ação e explosão a cada segundo mas durante o episódio não chega na metade disso? Muitos filmes passam por isso, tendo seus trailers muito melhores que a película completa. Passei por isso com filmes como FÚRIA DE TITÃS, X-MEN ORIGEM: WOLVERINE e as duas sequências de MATRIX.
FRACASSOS DE 2011
O site americano Hollywood Reporter fez uma lista com os quinze filmes com as piores bilheterias de 2011. Até mesmo SUCKER PUNCH: MUNDO SURREAL que eu gostei bastante teve um péssimo desempenho e está dentro deste ranking. Segeue abaixo a lista:
“Roubo na Alturas” – Orçamento: US$75 milhões. Bilheteria mundial: US$126.3 milhões
“Lanterna Verde” – Orçamento: US$200 milhões. Bilheteria mundial: US$219.9 milhões
Acredito que não tem como definir um culpado para o fracasso de bilheteria de um filme, pois isso é muito relativo. Pode ser pelo roteiro ruim, atuações fracas, no caso de adaptação fugir muito da obra de origem (como já comentei antes AQUI), ou simplesmente ser uma obra ruim que dói. Alguns filmes já são rejeitados pelo público antes de ficarem prontos, mas os produtores ou ignoram, ou tentam fazer mudanças e remendos as pressas que só bagunçam mais as coisas. Talvez os filmes não devam ser feitos visando a bilheteria, mas acredito que a opinião pública deve ser levada em conta quando você investe milhões em algo e pretende ter algum retorno.
Se você acompanha o blog já deve ter notado que adaptações para o cinema tem sido um tema recorrente aqui. Eu já havia comentado AQUI em um post sobre AKIRA da adaptação americana que está fendo para o cinema da obra de Katsuhiro Otomo. Eis que saiu a possível sinopse desta “pérola”, de uma olhada:
“Kaneda (Garret Hedlund) é um dono de bar em Neo-Manhattan, e se surpreende quando seu irmão Tetsuo é raptado por agentes do Governo, liderados pelo Coronel (Ken Watanabe). Desesperado para ter seu irmão de volta, Kaneda se junta a Ky Reed e seu movimento underground, cujo objetivo é revelar o que realmente aconteceu à Nova York trinta anos atrás, quando foi destruída.” “Kaneda acha as teorias da gangue ridículas, até encontrar seu irmão novamente. Tetsuo agora exibe potentes poderes telecinéticos. Ky acredita que Tetsuo está prestes a libertar um garoto, Akira, que tomou controle da mente de Tetsuo. Kaneda, indo atrás de Tetsuo para impedi-lo de libertar Akira, acaba enfrentando as forças do Coronel no caminho, e chega tarde de mais. Logo, Akira emerge de sua prisão, e Kaneda precisa salvar seu irmão antes que Akira destrua a ilha de Manhattan, como o fez há trinta anos.”
Sério, já na primeira linha comecei a me descabelar e amaldiçoar quem escreveu isto. Mudarem a localidade e coisas assim é o de menos, o que me deixa maluco é pensar como puderam fazer um roteiro tão distante da essência da obra. Em tempos de “Occupy Wall Street”, um filme com gangues de arruaceiros e uma critica política severa NUNCA seria feito. Na obra original Tetsuo esta expandindo seu poder, e busca Akira para obter mais, e agora não passa de uma marionete.
Acho que a solução seria mudar o nome dos personagens (o filme não se passa no Japão e os atores nem são japoneses, não faz sentido algum manter os nomes neste idioma) e mudar o nome do filme também, apenas dizer que Akira foi uma inspiração e nada mais. Porém acredito que a ideia seja apenas usar o nome e a fama do original para alavancar a película.
Muitos fãs dizem que simplesmente irão boicotar esta produção, ignorar sua existência e fazerem propaganda ruim. Eu particularmente acho que o filme não vai obter muita bilheteria, ainda mais com esta trama pasteurizada de ficção-cientifica. O grande público não vai ficar curioso para ver, e o público que poderia ser alvo provavelmente vai repudiar a obra. Não tem jeito, enquanto não contratarem uma boa pessoa pro departamento de “vai dar merda” para as adaptações, vamos continuar a ter q ignorar coisas como esta.
Nos dias de hoje é normal vermos obras que ao fazerem sucesso migram para outros formatos, o mais comum é a conversão para cinema. Porém toda conversão de formato exige uma adaptação, e este é o tema que será abordado no post de hoje.
FORMATOS
A maioria das obras durante sua concepção é pensada para caber dentro do formato que lhe cabe, seja um livro, filme, seriado, quadrinho, animação ou mesmo roteiro de game. O autor da obra costuma dominar o formato que usou para fazer esta obra, e quando decidem fazer uma adaptação, ele precisa confiar seu trabalho nas mãos de outras pessoas que entendem melhor da mídia a qual seu projeto vai migrar. Em alguns casos o autor é sondado para opinar sobre cada etapa da produção, ficando como consultor do projeto, e outras vezes ele apenas vende os direitos e confia no talento das pessoas envolvidas. A visão que o autor tem de sua obra é diferente das visão que os produtores terão, pois eles vão vê-lá no formato novo, e o autor vai se basear no seu formato original.
Eu acredito que uma boa forma de saber se a adaptação de algo está indo por um bom caminho ou não é sondar os fãs, usa-los como termômetro de qualidade. Engraçado que muitas adaptações (principalmente as cinematográficas) parecem ignorar totalmente a opinião dos fãs sobre o projeto, mesmo quando eles lançam alguma foto ou prévia do projeto e são execrados por estarem fazendo merda. Isso acontece muitas vezes porque certos produtores querem fazer um filme para o grande público, e não para os fãs, mas ao fim acabam fazendo um filme tão ruim que faz o público em geral torcer o nariz até para a obra original.
QUADRINHOS E O CINEMA
O mundo dos quadrinhos é um dos que mais sofre com as adaptações cinematográficas (só perde para o mundo dos games, a qual já falei AQUI e AQUI). O mundo dos quadrinhos, principalmente o dos super-heróis, não tem como ser adaptado de maneira fiel para o cinema sem ficar ridículo, o que acaba culminando em uma adaptação muitas vezes radical – e é ai que reside o problema. Os elementos a serem modificados ficam a cargo muitas vezes de um diretor que quer colocar sua assinatura pessoal no personagem. Vamos pegar o Batman como exemplo:
Os dois primeiros filme do começo da década de 90 tiveram Tim Burton na direção, que conseguiu dar um tom mais sombrio ao personagem e acabou criando a “armadura” no uniforme, que viraria padrão para os outros filmes, só para fazer o ator Michael Keaton parecer mais forte. Depois disso os filmes caíram nas mãos de Joel Schumacher, que transformou o clima sombrio em carnavalesco e semi-homossexual (alguém falou “bat-mamílos”?). Após tanta cagada na franquia, a DC decidiu chamar Christopher Nolan para fazer um reboot na franquia, e ele conseguiu trazer fazer uma adaptação que respeita tanto os fãs quanto a própria mitologia do personagem.
Toda conversão necessita de adaptações, afinal nem sempre o que funciona em um formato consegue sucesso em outro. Uma solução são as obras que já nascem planejadas para possuírem vários formatos, muitas vezes os usando como uma forma de expansão do universo.O jeito é confiar (e torcer) para que as obras que gostamos e amamos caiam em mãos de produtores que respeitem o espirito delas, ou que não sejam adaptadas e permaneçam em seu formato.
*Para quem quiser ler mais sobre o assunto, tem um ótimo post no blog do meu amigo e colega de estúdio Rogério de Souza, veja AQUI.
Há 16 anos surgia uma das obras mais influentes nos animes na década de 90. Neon Genesis Evangelion (ou Shin Seiki Evangelion) foi um marco da animação japonesa através de sua trama misteriosa, personagens cativantes e combates avassaladores. Mesmo após tantos anos, Evangelion ainda faz barulho e mantém seu lugar no coração dos fãs.
A trama ocorre no ano de 2015, metade da população foi dizimada após uma terceira guerra mundial e um misterioso meteoro que caiu na Antártida, causando alterações climáticas e o chamado segundo impacto (o primeiro seria o que dizimou os dinossauros). Estranhas criaturas gigantes conhecidas como Shitôs ou Angels surgem e causam mais destruição na cidade de Tóquio-3. Uma organização chamada NERV (Nervo em alemão) conseguiu capturar uma destas criaturas, a qual deram o nome de Adão, e através dele criaram clones geneticamente modificados para servirem como máquinas de combate contra os Angels – Estes são os EVAS ou unidades Evangelion. Os Angels aparecem com a intenção de chegar até Adão, que está preso na base subterrânea da NERV. Acredita-se que se um Angel entrar em contato com Adão, terá inicio um terceiro impacto.
Rei Ayanami
Apesar de toda trama política e das cenas de ação, o que se destaca na trama de Evangelion é o foco que se da na relação entre os personagens e os seus dramas psicológicos. Os pilotos dos EVAS são crianças “escolhidas” de 14 anos, e se apresentam com personalidades e conflitos convincentes a adolescentes em meio a um cenário tão conturbado. O complexo e antissocial Shinji Ikari, filho do comandante da NERV Gendoh Ikari e designado como piloto da unidade EVA-03. Os outros pilotos são a jovem protegida do comandante Ikari e misteriosa Rei Ayanami, que pilota a unidade EVA-01 e a explosiva e orgulhosa Asuka Langley Soryu/Shikinami Asuka Langley. Liderados nas missões pela major Misato Katsuragi, eles pilotam seus EVAS em combates de tirar o fôlego contra os mais variados e estranhos tipos de Angels. O design dos EVAS também foi algo que chamou a atenção, pois não se tratam de apenas gigantescos mechas armadurados como os Gundams, mas sim de ciborgues humanóides com corpo atlético, a qual os pilotos controlam através de uma ligação neurológica. Eles possuem um vasto arsenal de armas de fogo e armas brancas para auxilia-los no combate contra os Angels, além do chamado “campo de terror absoluto” (ou A.T. Field) que consiste em uma espécie de campo de força emanado naturalmente tanto por eles, quanto pelos Angels.
Esta obra foi produzida pelo estúdio GAINAX (criadores de sucessos como Nadia: The Secret of Blue Water e FLCL) após um hiato de quatro anos em que estavam estagnados. O mangá surgiu em fevereiro de 1995 nas páginas da Shonen Ace por Yushiyuki Sadamoto e Hideaki Anno (no Brasil publicado pela editora Conrad). Devido a várias pausas do autor, o mangá não teve sua conclusão até hoje. O anime surgiu no dia 5 de outubro de 1995, com 26 episódios (já exibidos no Brasil pelos canais Locomotion e Animax) e dois filmes lançados em 1997 (Neon Genesis Evangelion – Death and Rebirth, que consiste em uma compilação dos episódios da série, e The End of Evangelion, com uma outra visão para o final apresentado no anime). A série rendeu alguns spin-offs, como uma versão shojo do mangá chamada Neon Genesis Evangelion – The Iron Maiden 2nd, e um anime com os personagens em versão chibi chamado Petit Evangelion@School. Além de tudo, a série é um fenômeno de marketing, estampando desde celulares até perfumes baseados nos personagens.
Desde 2003, o estúdio GAINAX tem trabalhado com o estúdio Khara em uma série de quatro filmes, onde a história de Evangelion esta sendo recontada de uma forma definitiva. Até agora já foram lançados os filmes Rebuild of Evangelion 1.01 – You are [not] alone e Rebuild of Evangelion 2.22 – You can [not] advance, e o terceiro se chamará Rebuild of Evangelion 3.0 – Quickening, e tem previsão de lançamento para 2012. Há anos se fala em uma versão live-action de Evangelion produzida em Holywood, e como a maioria das adaptações de anime para o cinema são desastrosas (pra não dizer todas), os fãs tem torcido para que este filme nunca seja feito. Assim como a também polêmica adaptação de Akira (a qual já falei no post sobre o anime AQUI), a trama do live-action se passaria em uma nova versão de Nova York, e não de Tóquio, e os personagens teriam suas nacionalidade e nome trocadas para versões americanas. Até onde se sabe nenhum o projeto tem pulado de mãos em mãos nos estúdios de Hollywood, pois ninguém quer se comprometer com um projeto tão grande e com temas tão polêmicos.
Mergulhe neste mundo onde tecnologia, misticismo e religião se misturam e descubra porque esta é uma série que cativa tantos fãs até hoje. Esta obra foi um marco nos animes na década de 90 por trazer um novo foco para as velhas e batidas tramas das histórias de mechas. Mais do que entreter, Evangelion nos leva a pensar em nossos próprios dilemas e conflitos. Se você gosta de uma boa ficção-científica, grandes batalhas, tramas misteriosas e psicológicas, violência e personagens carismáticos, Evangelion é um prato cheio.
Eu sou um amante do cinema, sempre disposto a ver os mais variados tipos de filmes (não chego a me considerar um cinéfilo por derrapar nos clássicos, mas estou quase apto a compra meus tênis verdes), mas existem algumas obras que você faz questão de nunca mais ver na sua vida. Como daria muito trabalho listar de cabeça todos os filmes que eu nunca mais quero ver, resolvi enquadrar esta categoria em alguns tipos:
Existem aqueles filmes que você fica maluco para assistir, super empolgado, mas fica frustrado quando ele chega ao fim e suas expectativas não são correspondidas. Para mim um exemplo disto é o filme Lolita com Jeremy Irons, pois quando fui ver fiquei maluco achando que seria um filme DAQUELES!… No fim me deparei com uma história mega triste que quase me levou as lágrimas, peguei trauma.
Muitas vezes você já prevê que o filme será ruim, mas acaba sendo levado a assisti-lo quase que por obrigação. Enquadram-se neste tipo os filmes infantilóides ou os que os cônjuges e familiares nos forçam a assistir. Eu tive que assistir Hanna Montana 2 com uma ex-namorada (por sorte não precisei ver até o fim).
Alguns filmes você assiste o primeiro e deseja nunca mais ver não só ele como toda a franquia do mesmo. Cito como exemplo aqui a franquia Premonição, em que TODOS os filmes são iguais, variando apenas as formas das mortes forçadas.
Certos filmes você assiste, não gosta e diz que nunca mais vai ver, mas quando passa na televisão você senta no sofá e se amaldiçoa por ter gastado seu tempo ali. Por mais que eu me puna, toda vez que passa X-MEN 3-O Confronto Final eu acabo sentando pra ver, mesmo sabendo que é uma merda de filme.
A nossa memória pode acabar nos traindo e em alguns casos você acaba sentando pra assistir um filme que já viu, e só em determinada cena você se lembra de que não gosta do filme. Como esta é uma categoria que nos trai a memória, eu não tenho como citar algum agora.
Por falar em memória, existem os filmes que você assiste uma vez e adora, daí quando vai assistir anos mais tarde com outra cabeça, acaba vendo que eram uma merda. Neste tipo se enquadram muitos filmes que assistimos na infância sem entender direito, e daí quando o revemos após a infância notamos que são uma lastima. Isso aconteceu comigo ao ver novamente Independence Day (como não havia reparado que aqueles discos voadores eram horríveis?).
Eu normalmente defendo a ideia de que para você possuir uma opinião consciente sobre um filme você precisa assisti-lo, porém existem certas obras que são tão ruins que não é necessário perder seu tempo assistindo elas. Posso citar como exemplo várias adaptações de games para o cinema como THE KING OF FIGHTERS, STREET FIGHTER – A LENDA DE CHUN-LI e TODOS os filmes do diretor Uwe Boll.
São estes os tipos a qual eu consegui enquadrar os filmes que não quero ver nunca mais. Compartilhe nos comentários quais os filmes que definitivamente fazem você fugir do sofá.
Baseado em uma história real, Os Leões de Bagdá (Pride of Baghda no original) conta a história de quatro felinos em meio ao caos de um bombardeio em Bagdá e como isto afeta suas vidas, a guerra em um ponto de vista jamais explorado.
A história é escrita pelo grande Brian K. Vaughan (que já até fez roteiros para o seriado Lost), e trás arte de Niko Henrichon. Esta graphic novel foi lançada em 2006 pelo selo Vertigo e no Brasil em 2008 pela Panini Comics. Este trabalho recebeu o HARVEY AWARDS® 2007 de melhor graphic novel.
A trama se passa no ano de 2003, enquanto as tropas americanas travavam sua “guerra ao terror” contra o Iraque. Após um bombardeio em um zoológico, quatro leões: Safa, a leoa anciã que resiste em sair do zoológico pois já sofreu muito na vida selvagem; Zill, o líder da alcatéia que tenta proteger e zelar por seu grupo; Noor, a leoa jovem e idealista que sempre quis escapar do zoológico e ir pra vida selvagem e Ali, seu filhote que esta muito entusiasmado com o mundo novo que surge diante dele. Acabam ganhando a liberdade em meio a todo o caos gerado pelo fato. É muito interessante ver a alegoria que é feita, colocando a história real em forma de fábula, com os animais tendo suas personalidades e características únicas.
Esta graphic novel é um ponto de vista totalmente único sobre a guerra, os atos dos homens e suas consequências na natureza. A arte é solta, com cores sobre o lápis, o que da uma forma ainda mais maravilhosa a trama. A leitura é rápida e tudo corre de maneira agradável diante dos olhos, vale a pena cada minuto de leitura.